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  <title>lasinskas.me</title>
  <subtitle>Blog do Guilherme Lasinskas</subtitle>
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  <updated>2026-06-29T00:19:01Z</updated>
  <author>
    <name>Guilherme Lasinskas</name>
    <email>guilherme.lasinskas@gmail.com</email>
  </author>
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    <title>Significância estatística na prática: o que diz, o que não diz, e os erros que custam caro</title>
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    <published>2026-06-28T00:00:00Z</published>
    <updated>2026-06-29T00:19:01Z</updated>
    <summary type="html"><![CDATA[
Significância estatística na prática: o que diz, o que não diz, e os erros que custam caro
]]></summary>
    <content type="html"><![CDATA[
<h2 id="tldr">TL;DR</h2>
<p>Significância estatística é provavelmente o conceito mais usado e mais mal interpretado em análise de dados. P-valor não diz que sua hipótese é verdadeira, não rejeitar a hipótese nula não prova que nada mudou, e um resultado significante com efeito minúsculo pode ser irrelevante na prática. Neste post, explico o que significância estatística realmente diz, por que o limite de 0.05 existe (e por que é arbitrário), a diferença entre significância estatística e prática, e os erros mais comuns que fazem times tomarem decisões erradas com dados &quot;certos&quot;.</p>
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<h2 id="o-resultado-deu-significante-e-a">O resultado deu significante. E aí?</h2>
<p>Você roda um teste A/B. O p-valor dá 0.03. O dashboard fica verde. O time comemora. Feature vai pra produção.</p>
<p>Duas semanas depois, a métrica volta ao patamar original. Ninguém entende o que aconteceu.</p>
<p>Vi essa história se repetir mais vezes do que gostaria. E quase sempre o problema não é o teste em si. É como o resultado foi interpretado. Significância estatística é uma ferramenta poderosa, mas só funciona se você entender o que ela diz e, principalmente, o que ela não diz.</p>
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<h2 id="o-que-significncia-estatstica-realmente-diz">O que significância estatística realmente diz</h2>
<p>A definição formal soa simples: um resultado é estatisticamente significante quando é improvável que tenha ocorrido por acaso, assumindo que não existe efeito real.</p>
<p>Na prática, isso significa o seguinte: você está comparando dois grupos (A e B). O grupo B teve um resultado 3% melhor que o A. A pergunta é: essa diferença é real ou é apenas ruído dos dados?</p>
<p>Significância estatística responde essa pergunta com uma probabilidade. Se o p-valor é 0.03, isso quer dizer: &quot;se não existisse NENHUMA diferença real entre A e B, a chance de eu observar uma diferença tão grande quanto essa (ou maior) seria de 3%.&quot;</p>
<p>É sutil, mas importante: a pergunta que o teste responde é sobre os DADOS, não sobre a HIPÓTESE. Ele não diz &quot;tem 97% de chance de B ser melhor que A.&quot; Diz &quot;se A e B fossem iguais, seria muito estranho ver essa diferença.&quot;</p>
<p>A analogia mais útil que já ouvi: é como um julgamento. O veredito &quot;não culpado&quot; não significa &quot;inocente&quot;. Significa que não houve evidência suficiente para condenar. Da mesma forma, um p-valor alto não prova que não há efeito. Só que você não teve evidência suficiente para detectá-lo.</p>
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<h2 id="p-valor-o-nmero-mais-mal-interpretado-em-dados">P-valor: o número mais mal interpretado em dados</h2>
<p>O p-valor é a probabilidade de observar resultados tão extremos quanto os que você mediu, assumindo que a hipótese nula é verdadeira.</p>
<p>Três coisas que ele NÃO é:</p>
<p><strong>1. Não é a probabilidade de que sua hipótese esteja certa ou errada.</strong> P-valor = 0.03 não significa &quot;3% de chance de estar errado.&quot; Significa que, se nada tivesse mudado, ver esse resultado seria raro.</p>
<p><strong>2. Não é uma medida do tamanho do efeito.</strong> Um p-valor de 0.001 não significa efeito grande. Pode ser um efeito minúsculo com amostra enorme.</p>
<p><strong>3. Não é a probabilidade de que o resultado tenha ocorrido por acaso.</strong> Essa frase aparece em metade dos reports que eu já li. E está errada. O p-valor assume que o acaso é a única explicação e te diz quão improvável seriam seus dados nesse cenário.</p>
<p>O limite de 0.05 (5%) que todo mundo usa como padrão foi proposto por Ronald Fisher nos anos 1920 como um ponto de referência &quot;conveniente&quot;. Não existe nada mágico sobre 5%. É uma convenção. Dependendo do contexto, 0.01 pode ser mais apropriado (decisões com alto custo de erro), e em outros cenários 0.10 pode ser aceitável.</p>
<p>O que importa é definir o nível ANTES de olhar os dados. Se você roda o teste, vê que o p-valor é 0.06, e decide que 0.10 é &quot;aceitável nesse caso&quot;, você está ajustando a régua depois de saber o resultado. Isso não é análise. É confirmação.</p>
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<h2 id="significncia-estatstica--significncia-prtica">Significância estatística ≠ significância prática</h2>
<p>Esse é provavelmente o erro mais caro que vi times cometerem.</p>
<p>Com uma amostra grande o suficiente, qualquer diferença, por menor que seja, pode se tornar estatisticamente significante. Se você tem 10 milhões de usuários em cada grupo, uma melhoria de 0.01% na taxa de conversão pode dar p-valor &lt; 0.05.</p>
<p>A pergunta que o teste não responde é: essa melhoria importa?</p>
<p>Implementar uma feature que melhora conversão em 0.01% pode não valer o custo de engenharia, manutenção e complexidade adicionada ao produto. Significância estatística te diz que o efeito provavelmente existe. Significância prática te diz se vale agir com base nele.</p>
<p>Intervalos de confiança ajudam mais que p-valores nessa decisão. Em vez de &quot;deu significante ou não&quot;, um intervalo te diz &quot;o efeito real provavelmente está entre X% e Y%.&quot; Se o limite inferior do intervalo já representa um impacto relevante pro negócio, vale agir. Se o intervalo inteiro está numa faixa que não move a agulha, significância estatística não muda nada.</p>
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<h2 id="os-erros-que-fazem-times-tomarem-decises-erradas">Os erros que fazem times tomarem decisões erradas</h2>
<h3 id="p-hacking-ajustando-at-dar-significante">P-hacking: ajustando até dar &quot;significante&quot;</h3>
<p>Rodar variações do teste (mudar a métrica, cortar a amostra de formas diferentes, incluir ou excluir outliers) até encontrar uma combinação que dá p &lt; 0.05. Cada ajuste é um novo teste, e cada novo teste aumenta a chance de encontrar um falso positivo. Se você testou 20 combinações, a chance de pelo menos uma dar &quot;significante&quot; por acaso é alta.</p>
<p>A solução: pré-registrar a hipótese e o plano de análise antes de rodar. Se você quer explorar os dados depois, tudo bem, mas os achados exploratórios precisam ser validados num teste separado.</p>
<h3 id="peeking-olhar-antes-da-hora">Peeking: olhar antes da hora</h3>
<p>Checar o resultado do teste a cada dia e parar assim que dá significante. O problema é que flutuações naturais dos dados podem produzir p-valores temporariamente baixos que se normalizam com mais dados. A prática de &quot;parar quando deu&quot; infla a taxa de falsos positivos de forma significativa.</p>
<p>A solução: definir o tamanho da amostra antes de começar (power analysis) e esperar. Se precisa olhar antes, usar métodos sequenciais que ajustam os limites de significância ao longo do tempo.</p>
<h3 id="multiple-testing-comparaes-mltiplas-sem-correo">Multiple testing: comparações múltiplas sem correção</h3>
<p>Se você testa 20 hipóteses ao mesmo tempo com α = 0.05, em média uma vai dar significante por puro acaso. É matemática: 1 - (0.95)^20 ≈ 64% de chance de pelo menos um falso positivo.</p>
<p>Métodos como Bonferroni (divide α pelo número de comparações) ou Benjamini-Hochberg (controla a taxa de falsos positivos entre as rejeições) existem pra isso. São simples de aplicar. Poucos times aplicam.</p>
<h3 id="ignorar-o-poder-do-teste">Ignorar o poder do teste</h3>
<p>Power é a probabilidade de detectar um efeito que realmente existe. Se seu teste tem 50% de power, ele vai perder metade dos efeitos reais. A maioria dos testes A/B precisa de mais amostra do que as pessoas imaginam.</p>
<p>Rodar o teste por uma semana &quot;pra ver se dá&quot; quase nunca é suficiente. Power analysis deveria ser o primeiro passo, não o último. A pergunta &quot;quanto tempo o teste precisa rodar?&quot; deveria ter uma resposta baseada em cálculo, não em feeling.</p>
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<h2 id="o-que-verificar-antes-de-confiar-em-um-resultado">O que verificar antes de confiar em um resultado</h2>
<p>Antes de mandar uma feature pra produção com base em um teste A/B, cinco verificações:</p>
<p><strong>1. A hipótese foi definida ANTES do teste?</strong> Se você decidiu o que medir depois de ver os dados, o resultado perde validade. Exploração post-hoc é legítima, mas precisa ser tratada como geradora de hipóteses, não como confirmação.</p>
<p><strong>2. O tamanho da amostra foi suficiente?</strong> Power analysis deveria acontecer antes do teste começar. Se o teste rodou com amostra insuficiente, o resultado pode ser tanto falso positivo quanto falso negativo. Nenhum dos dois te ajuda.</p>
<p><strong>3. Houve comparações múltiplas?</strong> Se você testou várias métricas, variantes ou segmentos, a chance de encontrar algo &quot;significante&quot; por acaso cresce proporcionalmente. Correção deve ser aplicada.</p>
<p><strong>4. O efeito é grande o bastante pra importar?</strong> Significância estatística sem significância prática não sustenta decisão. O intervalo de confiança do efeito deve estar numa faixa que justifique ação.</p>
<p><strong>5. Variáveis confundidoras foram controladas?</strong> Houve evento externo, sazonalidade, ou mudança de mix de usuários durante o teste? Randomização ajuda, mas não é imune a tudo.</p>
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<h2 id="trs-situaes-para-aplicar-essa-semana">Três situações para aplicar essa semana</h2>
<p><strong>Para o próximo teste A/B que você vai rodar:</strong> antes de começar, defina a hipótese, a métrica primária, o nível de significância e faça uma estimativa do tamanho de amostra necessário. Se alguém perguntar &quot;quando vai dar resultado?&quot;, a resposta deveria ser baseada em power analysis, não em feeling.</p>
<p><strong>Para o último resultado significante que seu time celebrou:</strong> volte e olhe o tamanho do efeito. Se o intervalo de confiança inclui valores que não moveriam decisão nenhuma, a celebração pode ter sido prematura. O efeito existe? Provavelmente. Ele importa? Depende.</p>
<p><strong>Para uma feature que &quot;não deu resultado&quot; em teste:</strong> antes de descartar, verifique se o teste tinha power suficiente pra detectar o efeito que você esperava. &quot;Não significante&quot; pode significar &quot;não tinha dados suficientes&quot;, não &quot;não funciona.&quot;</p>
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<p>📎 Referências: Fisher, R.A. (1925). Statistical Methods for Research Workers. Wasserstein, R.L. &amp; Lazar, N.A. (2016). &quot;The ASA Statement on p-Values.&quot; The American Statistician. Statsig Blog: &quot;How to accurately test statistical significance&quot; (2025).</p>

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    <author>
      <name>Guilherme Lasinskas</name>
      <email>guilherme.lasinskas@gmail.com</email>
    </author>
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    <title>Talk: Reconhecimento Linkedin Notícias @ Linkedin</title>
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    <published>2026-05-24T00:00:00Z</published>
    <updated>2026-05-24T00:00:00Z</updated>
    <content type="html"><![CDATA[
<p>Meu trabalho reconhecido ao lado de nomes gigantes no mercado!</p>

]]></content>
    <author>
      <name>Guilherme Lasinskas</name>
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    <title>Como uso IA no trabalho de verdade — meu modelo pessoal</title>
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    <published>2026-04-10T00:00:00Z</published>
    <updated>2026-04-10T20:14:04Z</updated>
    <summary type="html"><![CDATA[
Depois de meses usando IA no trabalho como BA, o que funciona é bem diferente do hype. Aqui está o modelo mental que uso para decidir quando delegar e quando não delegar.
]]></summary>
    <content type="html"><![CDATA[
<h2 id="tldr">TL;DR</h2>
<p>Uso IA no trabalho de verdade há mais de um ano. O que funciona para mim não é &quot;vibe coding&quot; nem delegação de raciocínio — é usar IA como par de pensamento para tarefas específicas, mantendo a propriedade intelectual sobre o que entrego. Os dois erros mais comuns que vejo: ou as pessoas não usam IA onde ela seria útil (por ceticismo) ou delegam exatamente o que não deveria ser delegado (o contexto de negócio e a conclusão). Este post descreve o meu modelo pessoal — com o que funcionou e o que não funcionou junto.</p>
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<h2 id="o-paradoxo-de-produtividade-da-ia">O paradoxo de produtividade da IA</h2>
<p>Existe um estudo publicado em 2026 pela Fortune que documenta o que ficou conhecido como o &quot;paradoxo de produtividade da IA&quot;: CEOs relatam que adotaram ferramentas de IA em escala, mas os ganhos de produtividade mensuráveis estão muito abaixo do esperado.</p>
<p>Robert Solow ficou famoso nos anos 80 por uma frase sobre computadores: &quot;você pode ver a era dos computadores em todo lugar, exceto nas estatísticas de produtividade.&quot; O mesmo padrão parece se repetir com IA generativa.</p>
<p>Por que isso acontece?</p>
<p>Uma das hipóteses mais plausíveis é que a maioria das pessoas usa IA para as tarefas erradas — ou da forma errada. Automatiza o que era rápido, e deixa intocado o que era lento. Ou delega o que exige julgamento, e mantém manual o que é puro trabalho de volume.</p>
<p>Comecei a pensar sobre o meu próprio uso a partir dessa lente: onde eu estou usando IA, e onde eu deveria estar usando mais?</p>
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<h2 id="o-que-no--verdade-no-meu-uso">O que não é verdade no meu uso</h2>
<p>Antes de descrever o que funciona, vale nomear o que eu não faço.</p>
<p><strong>Não &quot;vibe coders&quot;.</strong> Não escrevo um prompt descrevendo o que quero, aceito o output, e entrego. Isso funciona para prototipagem rápida — e para trabalho onde o julgamento sobre o output não importa. No trabalho de BA, o julgamento sobre o output é basicamente tudo.</p>
<p><strong>Não delego o contexto de negócio.</strong> IA não sabe que aquele dado de receita está duplicado porque o time de engenharia corrigiu um bug em fevereiro. Não sabe que o stakeholder daquela análise vai apresentar para o board na quinta. Não sabe que a hipótese mais simples foi testada e descartada três meses atrás. Esse contexto é o que torna uma análise útil — e não está disponível para o modelo.</p>
<p><strong>Não trato o output como verdade.</strong> Verifico SQL gerado. Corrijo argumentos que soam convincentes mas têm premissas erradas. Leio o que foi escrito como se tivesse escrito eu mesmo — porque vou assinar embaixo.</p>
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<h2 id="onde-uso-de-verdade">Onde uso de verdade</h2>
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/como-uso-ia-trabalho-modelo-pessoal/quando-uso-ia.png" alt="Onde IA entra no meu fluxo de trabalho" title="Onde IA entra no meu fluxo de trabalho"></p>
<p><strong>1. SQL: debug e revisão</strong></p>
<p>Escrevo a query, IA revisa. Ou escrevo a estrutura, IA preenche as partes repetitivas. O que funciona: pedir para o modelo explicar o que a query faz antes de rodar — isso revela premissas que eu tinha implícitas e que estavam erradas.</p>
<p>O que não funciona: pedir a query completa sem entender o que ela deveria fazer. O output às vezes está correto sintaticamente e errado semanticamente — e sem entender a lógica, você não detecta.</p>
<p><strong>2. Estrutura de argumentos</strong></p>
<p>Quando tenho que montar uma análise para uma audiência nova, peço para o modelo tentar contra-argumentar a conclusão que pretendo apresentar. Isso antecipa as perguntas que vão aparecer na reunião.</p>
<p>Não é delegação de raciocínio — é forçar que o meu raciocínio seja exposto a objeções antes de chegar ao stakeholder.</p>
<p><strong>3. Primeiros rascunhos de comunicação</strong></p>
<p>E-mails de alinhamento, resumos de análise, documentação de decisão: uso IA para o draft inicial, depois reescrevo com o tom correto para aquela audiência específica.</p>
<p>O draft gerado raramente está certo de primeira — mas elimina a inércia de começar do zero. O trabalho de reescrita é mais rápido do que o trabalho de criação.</p>
<p><strong>4. Aprender algo novo rapidamente</strong></p>
<p>&quot;Me explica esse conceito de três formas diferentes — uma técnica, uma com analogia, uma como se eu soubesse a metade do contexto necessário.&quot; Esse formato funciona bem para absorver tópicos que estou vendo pela primeira vez. Não substitui ler o material original, mas acelera o entendimento inicial.</p>
<p><strong>5. Identificar o que estou assumindo sem saber</strong></p>
<p>Antes de finalizar uma análise, peço: &quot;quais são as premissas implícitas desta conclusão?&quot; A lista que o modelo gera costuma ter pelo menos uma coisa que eu não tinha pensado — e que vale checar antes da reunião.</p>
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<h2 id="onde-me-decepcionei">Onde me decepcionei</h2>
<p><strong>Análise exploratória sem briefing claro.</strong> Quando a pergunta está mal definida, o output de IA amplifica a ambiguidade. O modelo gera algo plausível, você se apega ao que foi gerado, e acaba respondendo a pergunta errada com muita qualidade.</p>
<p><strong>Raciocínio causal.</strong> IA é boa em correlações, ruim em causalidade. Quando peço para o modelo sugerir explicações para um movimento de métrica, as hipóteses geradas costumam ser as mais prováveis estatisticamente, não as mais relevantes para o contexto do negócio. Isso é exatamente o tipo de erro que parece razoável mas está errado por dentro.</p>
<p><strong>Qualquer coisa que precise de contexto organizacional.</strong> &quot;Como devo apresentar isso para o meu VP?&quot; — o modelo não conhece o VP, não sabe o histórico, não sabe o que foi prometido anteriormente. O output é genérico. Genérico não funciona para comunicação de alto risco.</p>
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</div>
<h2 id="o-modelo-mental-que-uso">O modelo mental que uso</h2>
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/como-uso-ia-trabalho-modelo-pessoal/ia-modelo-mental.png" alt="Dois modelos de usar IA — par vs oracle" title="Dois modelos de usar IA — par vs oracle"></p>
<p>Existe uma distinção que mudou como eu penso sobre IA no trabalho: <strong>IA como par vs IA como oracle</strong>.</p>
<p>Oracle: você delega a pergunta e aceita a resposta. A IA sabe, você implementa. O output define o que você entrega.</p>
<p>Par: você traz a pergunta e o contexto, o modelo contribui com estrutura, verificação, alternativas. Você ainda decide o que fazer. O output informa — não define.</p>
<p>Na maioria dos casos de uso que funcionam para mim, estou usando IA como par. Nas situações que decepcionaram, estava usando como oracle — esperando que o modelo tivesse o contexto que só eu tenho.</p>
<p>A diferença prática: quando uso como oracle, aceito o output com pouca fricção. Quando uso como par, estou ativamente discordando, verificando, reescrevendo. O trabalho não diminui — muda de natureza.</p>
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<h2 id="o-que-mudou-de-verdade">O que mudou de verdade</h2>
<p>Ser honesto sobre isso importa porque o hype infla as expectativas.</p>
<p>O que mudou: algumas tarefas que tomavam 2 horas tomam 40 minutos. Drafts de comunicação ficaram melhores mais rápido. Tenho menos bloqueio para começar quando a tarefa é pesada ou ambígua.</p>
<p>O que não mudou: o trabalho de entender o problema, de identificar a pergunta operacional, de construir confiança com stakeholders. Isso continua sendo trabalho humano — e provavelmente vai continuar sendo por um tempo.</p>
<p>O paradoxo que o estudo da Fortune documenta faz sentido para mim: IA aumenta produtividade onde o trabalho era processo, não onde era julgamento. E nas funções de análise, o trabalho de valor é quase todo julgamento.</p>
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</div>
<h2 id="sobre-o-curso">Sobre o curso</h2>
<p>O tipo de raciocínio que descrevi aqui — saber o que delegar, quando verificar, como estruturar análises que servem decisões — é o que o curso que estou lançando vai cobrir.</p>
<p>Não é um curso sobre como usar ferramentas de IA. É sobre como pensar análises que geram impacto — com ou sem IA.</p>
<p>Lista de espera aberta. Link na bio.</p>
<div class="hr">
  <div class="hr_inner"></div>
</div>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p>→ Fortune / AI Productivity Paradox (2026): fortune.com/2026/02/17/ai-productivity-paradox-ceo-study-robert-solow-information-technology-age/</p>
<p>→ Solow, R. (1987). We&#x27;d better watch out. <em>New York Times Book Review</em>, p. 36.</p>

]]></content>
    <author>
      <name>Guilherme Lasinskas</name>
      <email>guilherme.lasinskas@gmail.com</email>
    </author>
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    <title>O que aprendi depois de entregar uma análise certa para a pergunta errada</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://lasinskas.me/blog/analise-certa-pergunta-errada/" />
    <id>https://lasinskas.me/blog/analise-certa-pergunta-errada/</id>
    <published>2026-04-05T00:00:00Z</published>
    <updated>2026-04-05T23:55:08Z</updated>
    <summary type="html"><![CDATA[
O que aprendi depois de entregar uma análise certa para a pergunta errada
]]></summary>
    <content type="html"><![CDATA[
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/analise-certa-pergunta-errada/blog.png" alt="post" title="post"></p>
<h2 id="tldr">TL;DR</h2>
<p>Recebi dados de um fornecedor externo para estimar a posição de mercado de uma base de clientes em determinado segmento. O fornecedor cobria cerca de 60% dos clientes — para os outros 40%, não havia referência externa disponível. A pergunta declarada era &quot;qual é nossa posição nesse segmento?&quot; e eu poderia ter respondido com uma média dos clientes cobertos aplicada ao restante. A pergunta que a decisão precisava era outra: com que nível de confiança o resultado poderia sustentar uma escolha estratégica? Essas são perguntas diferentes, e entender qual estava em jogo antes de começar mudou o que eu entreguei. Neste post, explico o gap entre as duas perguntas, as cinco verificações que faço antes de qualquer query, como reorientar quando percebo que comecei errado, e três situações para aplicar essa semana.</p>
<div class="hr">
  <div class="hr_inner"></div>
</div>
<h2 id="a-anlise-e-a-pergunta-que-ela-precisava-responder">A análise e a pergunta que ela precisava responder</h2>
<p>O pedido era estimar a posição de mercado de uma base de clientes em determinado segmento. Para isso, havia dados internos sobre o que cada cliente fazia conosco e dados de um fornecedor externo com informações sobre o mercado total. O processo parecia direto: cruzar as duas fontes, calcular a fração da atividade de cada cliente que acontecia internamente, agregar.</p>
<p>O problema apareceu quando comecei a trabalhar com os dados: o fornecedor cobria cerca de 60% dos clientes. Para os outros 40%, não havia correspondência externa disponível. A abordagem mais simples seria calcular a métrica sobre os cobertos e aplicar a média ao restante — isso responderia a pergunta declarada e geraria um número que caberia numa apresentação.</p>
<p>O que me freou foi perceber que a decisão para a qual a análise servia tinha uma natureza diferente da estimativa em si. A pergunta declarada era &quot;qual é nossa posição?&quot;. A pergunta operacional — o que o stakeholder precisava para agir — era &quot;com que nível de confiança podemos tomar decisões estratégicas com base nessa estimativa?&quot; Uma média aplicada a 40% dos clientes sem nenhuma marcação de incerteza responderia a primeira e ignoraria a segunda inteiramente.</p>
<p>A resposta técnica foi usar bootstrap: reamostrei os clientes cobertos com reposição 10.000 vezes, calculei a métrica a cada iteração e construí um intervalo de confiança de 95% para a estimativa dos não-cobertos. O resultado final não foi &quot;nossa posição é X%&quot;, mas &quot;nossa posição está entre X% e Y% com 95% de confiança.&quot; O intervalo era amplo o suficiente para que os dois extremos implicassem prioridades distintas — e apresentar isso forçou uma conversa que um número único teria evitado: o que fazemos se estivermos no limite inferior? E se estivermos no superior?</p>
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/analise-certa-pergunta-errada/substack-bootstrap-processo.png" alt="bootstrap" title="bootstrap"></p>
<p>Essa conversa era a decisão real. A análise que eu quase entregava teria respondido corretamente a pergunta declarada e deixado essa decisão sem insumo.</p>
<div class="hr">
  <div class="hr_inner"></div>
</div>
<h2 id="a-diferena-entre-a-pergunta-que-foi-feita-e-a-pergunta-que-precisa-ser-respondida">A diferença entre a pergunta que foi feita e a pergunta que precisa ser respondida</h2>
<p>Quando alguém pede uma análise, o que chega até você é uma pergunta declarada.</p>
<p>&quot;Por que o churn aumentou?&quot;</p>
<p>&quot;Qual o perfil dos usuários que mais convertem?&quot;</p>
<p>&quot;Como está a retenção no produto X?&quot;</p>
<p>Cada uma tem uma resposta técnica razoável. O problema é que por trás de cada pergunta declarada existe uma pergunta operacional — a decisão que o stakeholder vai precisar tomar depois de ler o que você entregou.</p>
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/analise-certa-pergunta-errada/substack-gap-perguntas.png" alt="perguntas" title="perguntas"></p>
<p>Se o PM está com o roadmap do trimestre travado esperando uma justificativa para priorizar retenção, a pergunta operacional é &quot;o que entra no sprint?&quot; Responder &quot;por que o churn aumentou&quot; sem conectar os drivers aos itens de backlog é entregar a metade descritiva, sem a metade que serve a decisão.</p>
<p>Se a liderança precisa aprovar orçamento para uma iniciativa, a pergunta operacional é &quot;qual o ROI esperado e com que nível de confiança posso defender esse número?&quot; Uma análise comportamental de usuários, por mais bem feita que seja, não responde o que está em jogo para aquela aprovação.</p>
<p>O gap entre as duas perguntas é a razão mais comum pela qual análises tecnicamente sólidas ficam sem uso.</p>
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<h2 id="as-cinco-perguntas-antes-de-qualquer-query">As cinco perguntas antes de qualquer query</h2>
<p>Com o tempo, desenvolvi um conjunto de verificações que faço antes de escrever a primeira linha de SQL. Não é uma metodologia — é o resultado de análises que não geraram ação e de conversas sobre o que tinha faltado.</p>
<p><strong>1. O que o stakeholder precisa fazer depois desta reunião?</strong></p>
<p>A ação concreta que a pessoa vai tomar depois de ler a análise orienta tudo: o formato, o nível de detalhe, o que vai na abertura. Aprovar orçamento, decidir entre dois caminhos de produto, alinhar com a liderança — cada uma dessas ações implica um tipo diferente de análise. Se essa pergunta não tem resposta clara, vale um alinhamento de 15 minutos antes de começar.</p>
<p><strong>2. Que decisão esta análise está servindo?</strong></p>
<p>Toda análise serve uma decisão, mesmo que ninguém tenha explicitado isso. Se você não consegue nomear a decisão, vale perguntar diretamente: &quot;Para que você vai usar isso quando eu entregar?&quot; A pergunta raramente incomoda, e com frequência revela que o próprio stakeholder não tinha clareza sobre o que precisava.</p>
<p><strong>3. Qual é o prazo real da decisão — não só da entrega?</strong></p>
<p>&quot;Preciso disso para a reunião de quinta&quot; e &quot;precisamos disso antes da revisão de roadmap no fim do mês&quot; implicam granularidades muito diferentes. Uma análise rápida e direcionada entregue antes do momento de decisão costuma gerar mais impacto do que uma completa que chega depois. Saber o prazo da decisão — não só da tarefa — calibra o quanto detalhe faz sentido.</p>
<p><strong>4. Quem mais está envolvido na decisão?</strong></p>
<p>Se o PM vai apresentar sua análise para a liderança, você está preparando para dois públicos com modelos mentais diferentes. Saber isso antes muda o que você coloca na abertura e quais perguntas secundárias você antecipa. Uma análise feita só para o PM pode chegar à liderança sem o enquadramento necessário para gerar ação.</p>
<p><strong>5. O que invalidaria esta análise para o stakeholder?</strong></p>
<p>Existe alguma premissa que, se estiver errada, tornaria o resultado irrelevante? Um contexto externo que você não sabe? Uma decisão já tomada que a análise estaria contrariando? Perguntar isso antes evita chegar a uma reunião com doze slides para descobrir que o contexto mudou três dias antes.</p>
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<h2 id="como-reorientar-quando-voc-percebe-que-comeou-pela-pergunta-errada">Como reorientar quando você percebe que começou pela pergunta errada</h2>
<p>Você está no meio de uma análise e percebe que a pergunta que está respondendo não é a que a decisão precisa. Isso acontece com regularidade — o pedido inicial era vago, o contexto mudou, ou você só entendeu a pergunta operacional depois de começar a trabalhar.</p>
<p><strong>Antes de entregar:</strong> para a análise e alinha com o stakeholder. Pode ser uma mensagem curta: &quot;Comecei a olhar para X, mas percebi que para a decisão que você precisa tomar pode ser mais útil Y. Posso seguir os dois caminhos, mas se tiver que priorizar um, qual faz mais sentido para o que você precisa em seguida?&quot; Isso parece recuo. Na prática, demonstra que você está pensando na decisão — não só na tarefa — e é o tipo de comportamento que constrói confiança com stakeholders ao longo do tempo.</p>
<p><strong>Depois de entregar:</strong> a análise anterior pode servir como contexto para a conversa seguinte. O que corrói confiança nessas situações geralmente não é ter começado pela pergunta errada — é continuar refinando uma análise que não serve à decisão sem perceber o problema. Nomear o gap diretamente funciona melhor do que ignorá-lo: &quot;Na análise que entreguei, respondi [pergunta declarada]. Percebi que para [ação do stakeholder], pode ser mais útil olhar para [reorientação]. Posso trazer isso ainda essa semana.&quot;</p>
<p>Em ambos os cenários, o movimento de reorientar explicitamente tende a ser recebido melhor do que parece de dentro. Stakeholders raramente esperam perfeição na definição inicial. Esperam que o analista perceba quando está no caminho errado.</p>
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<h2 id="trs-situaes-para-aplicar-essa-semana">Três situações para aplicar essa semana</h2>
<p><strong>Antes da próxima análise que você vai começar:</strong> escreva em uma frase o que seu stakeholder vai precisar fazer depois de ver o que você vai entregar. Se você não conseguir completar a frase com uma ação concreta, o alinhamento vale antes de começar.</p>
<p><strong>Antes da próxima análise que você vai apresentar:</strong> abra com a implicação para a decisão, não com a metodologia. Em vez de &quot;hoje vou apresentar a análise de retenção do Q1&quot;, comece com o que a análise indica que deveria acontecer e por quê — e use o restante da apresentação para mostrar o que levou a isso.</p>
<p><strong>Para uma análise que você já entregou e ficou parada:</strong> antes de refazê-la, pergunte qual era a decisão que aquela pessoa precisava tomar quando recebeu o que você trouxe. Com frequência a análise era tecnicamente sólida e respondia a pergunta declarada com precisão. A pergunta operacional estava em outro lugar.</p>
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<h2 id="logo-menos-vou-ensinar-isso-para-vocs">Logo menos, vou ensinar isso para vocês!</h2>
<p>O raciocínio que descrevi aqui — como identificar a decisão antes de começar, como verificar se a pergunta declarada é a operacional, como apresentar resultados de forma que o stakeholder consiga agir — é o que estou pensando em compartilhar, de uma forma diferenciada.</p>

]]></content>
    <author>
      <name>Guilherme Lasinskas</name>
      <email>guilherme.lasinskas@gmail.com</email>
    </author>
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    <title>A habilidade que nenhum curso de dados te ensina</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://lasinskas.me/blog/a-habilidade-que-nenhum-curso-de-dados-te-ensina/" />
    <id>https://lasinskas.me/blog/a-habilidade-que-nenhum-curso-de-dados-te-ensina/</id>
    <published>2026-03-29T00:00:00Z</published>
    <updated>2026-03-29T21:28:22Z</updated>
    <summary type="html"><![CDATA[
E que é a diferença entre BAs que geram impacto e os que geram relatórios
]]></summary>
    <content type="html"><![CDATA[
<h2 id="tldr">TL;DR</h2>
<p>Todo curso de dados te ensina SQL, estatística, visualização. Nenhum te ensina a influenciar sem autoridade - que é o que BAs de impacto fazem o tempo todo. Neste post, explico o que é essa habilidade, por que é difícil, e como comecei a desenvolvê-la na empresa onde trabalho.</p>
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<h2 id="o-que-todo-curso-de-dados-ensina-e-o-que-ignora">O que todo curso de dados ensina (e o que ignora)</h2>
<p>Você provavelmente aprendeu, ou está aprendendo, alguma combinação disso:</p>
<p>→ SQL para extrair dados</p>
<p>→ Python ou R para modelagem</p>
<p>→ Tableau, Power BI ou Metabase para visualização</p>
<p>→ Estatística para interpretar resultados</p>
<p>→ Comunicação de dados para contar histórias com números</p>
<p>Tudo isso é real. Tudo isso importa. E nenhuma dessas habilidades é suficiente para gerar impacto consistente como BA.</p>
<p>O que nenhum curso te ensina é o que acontece depois de você ter a análise pronta.</p>
<p>Você apresenta os resultados para um stakeholder. Ele concorda que os dados são interessantes. Agradece pelo trabalho. E não muda nada.</p>
<p>Isso aconteceu comigo mais vezes do que eu gostaria de admitir.</p>
<p>O dado estava certo. A análise estava bem feita. A conclusão era clara. E nada aconteceu porque eu não tinha construído as condições para que algo acontecesse.</p>
<p>Isso me levou a entender a habilidade que realmente separa os BAs que geram impacto dos que geram relatórios.</p>
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<h2 id="a-habilidade-em-questo-influenciar-sem-autoridade">A habilidade em questão: influenciar sem autoridade</h2>
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/a-habilidade-que-nenhum-curso-de-dados-te-ensina/influencia-sem-autoridade.png" alt="BA no centro, rodeado de stakeholders - confiança, linguagem comum, entrega consistente" title="BA no centro, rodeado de stakeholders - confiança, linguagem comum, entrega consistente"></p>
<p>BA não tem autoridade formal sobre quase nada.</p>
<p>Você não decide o roadmap. Você não aprova orçamento. Você não tem poder de veto sobre nenhuma decisão de produto ou engenharia.</p>
<p>E mesmo assim, BAs de impacto mudam decisões o tempo todo.</p>
<p>Como?</p>
<p>Influenciando sem autoridade. Usando uma combinação de confiança, credibilidade, linguagem certa e timing para criar condições onde a decisão certa se torna óbvia - antes de você precisar pedir que ela seja tomada.</p>
<p>Isso não é manipulação. É comunicação estratégica.</p>
<p>E é uma habilidade que pode ser aprendida. Mas raramente é ensinada formalmente.</p>
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<h2 id="por-que-isso--difcil-na-prtica">Por que isso é difícil na prática</h2>
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/a-habilidade-que-nenhum-curso-de-dados-te-ensina/crescimento-ba.png" alt="Matriz: o que diferencia o BA que cresce - visibilidade vs impacto" title="Matriz: o que diferencia o BA que cresce - visibilidade vs impacto"></p>
<p>Existem três razões pelas quais influenciar sem autoridade é genuinamente difícil para a maioria dos BAs.</p>
<h3 id="voc-no-controla-o-contexto">Você não controla o contexto</h3>
<p>Quando você entra em uma reunião para apresentar uma análise, você não sabe o que a pessoa na frente de você já decidiu. Você não sabe quais pressões ela está sofrendo. Você não sabe se ela vai usar o que você trouxe como insumo para uma decisão ou para justificar uma que já tomou.</p>
<p>Dados raramente falam por si mesmos. Eles são interpretados dentro de um contexto que você não controla.</p>
<p>Isso significa que a análise perfeita, apresentada no momento errado, para a pessoa errada, com o enquadramento errado - não gera impacto.</p>
<h3 id="voc-depende-de-confiana-que-leva-tempo-para-construir">Você depende de confiança que leva tempo para construir</h3>
<p>Um stakeholder que não te conhece vai tratar sua análise com ceticismo razoável. Ele não sabe se você entende as nuances do negócio. Não sabe se você já errou antes e admitiu. Não sabe se pode contar com você quando o dado é ambíguo.</p>
<p>Confiança é construída em dezenas de interações pequenas antes de importar em uma grande.</p>
<p>O problema é que a maioria dos BAs só percebe que precisa de confiança no momento em que já precisa dela. Aí é tarde.</p>
<h3 id="voc-est-falando-lnguas-diferentes">Você está falando línguas diferentes</h3>
<p>Produto pensa em experiência do usuário e métrica de negócio. Engenharia pensa em viabilidade técnica e débito. Liderança pensa em risco, custo e prazo.</p>
<p>BA tende a falar a língua dos dados - que nenhum desses grupos fala fluentemente.</p>
<p>Se você apresenta uma análise estatisticamente sofisticada para uma liderança que precisa de uma decisão rápida, você perdeu o argumento antes de terminar o slide.</p>
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<h2 id="como-desenvolver---o-que-funcionou-pra-mim">Como desenvolver - o que funcionou pra mim</h2>
<p>Nenhum curso que conheço cobre isso de forma direta. Mas existem práticas que aceleraram muito quando comecei a aplicar.</p>
<h3 id="chegue-com-a-implicao-antes-dos-dados">Chegue com a implicação antes dos dados</h3>
<p>A maioria dos BAs abre a apresentação com contexto, depois metodologia, depois resultado, depois implicação.</p>
<p>Inverta.</p>
<p>Comece com o que muda se a análise estiver certa. &quot;Isso sugere que deveríamos parar de investir em X e realocar para Y.&quot; Aí mostre os dados que sustentam isso.</p>
<p>Isso serve dois propósitos: a pessoa sabe imediatamente o que está em jogo, e você está falando a língua de decisão - não a língua de dado.</p>
<h3 id="construa-confiana-em-anlises-de-baixo-risco-primeiro">Construa confiança em análises de baixo risco primeiro</h3>
<p>Confiança com stakeholders começa com entregas onde o risco de estar errado é baixo.</p>
<p>Você identifica um padrão interessante que o time não percebeu. Você confirma uma hipótese que alguém tinha mas não tinha dado para sustentar. Você antecipa uma pergunta que a liderança vai fazer antes que ela seja feita.</p>
<p>Essas entregas constroem a reputação de que você entende o negócio - não só os dados. Quando chegar a análise que importa de verdade, a confiança já está lá.</p>
<h3 id="aprenda-a-lngua-de-cada-stakeholder">Aprenda a língua de cada stakeholder</h3>
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/a-habilidade-que-nenhum-curso-de-dados-te-ensina/ba-engenharia.png" alt="BA e Engenharia - a ponte da tradução" title="BA e Engenharia - a ponte da tradução"></p>
<p>Produto fala em usuário e métrica. Aprenda a enquadrar análise em termos de experiência do usuário e impacto em métrica de produto.</p>
<p>Engenharia fala em sistema e viabilidade. Aprenda a apresentar o problema sem a solução, e deixe engenharia propor a implementação.</p>
<p>Liderança fala em risco e custo de oportunidade. Aprenda a traduzir sua análise em &quot;aqui está o que você perde se não agir&quot; e &quot;aqui está o que você ganha se agir&quot;.</p>
<p>Essa tradução não é desonestidade. É respeito pelo modelo mental do interlocutor.</p>
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<h2 id="para-o-ba-3-situaes-onde-aplicar-essa-semana">Para o BA: 3 situações onde aplicar essa semana</h2>
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/a-habilidade-que-nenhum-curso-de-dados-te-ensina/decision-doc.png" alt="Template do decision doc - os 5 blocos em sequência" title="Template do decision doc - os 5 blocos em sequência"></p>
<p>Você não precisa mudar tudo de uma vez. Começa com uma das três situações abaixo.</p>
<p><strong>Situação 1 - Próxima análise que você vai apresentar</strong></p>
<p>Antes de montar o deck, escreva em uma frase: &quot;O que muda para o stakeholder se eu estiver certo?&quot; Esse é o seu slide de abertura, não a metodologia.</p>
<p><strong>Situação 2 - Próxima reunião com stakeholder novo</strong></p>
<p>Faça uma entrega pequena que não foi pedida. Um dado que você viu que é relevante para o trabalho dele. Uma confirmação de uma hipótese que ele tinha. Não peça nada em troca. Isso inicia o ciclo de confiança.</p>
<p><strong>Situação 3 - Próxima vez que sua análise for ignorada</strong></p>
<p>Em vez de refazer a análise, pergunte: qual era o contexto da decisão que aquela pessoa estava tomando quando recebeu o que você trouxe? Provavelmente o problema não era o dado.</p>
<p>O dado raramente é o problema.</p>

]]></content>
    <author>
      <name>Guilherme Lasinskas</name>
      <email>guilherme.lasinskas@gmail.com</email>
    </author>
  </entry>
  <entry>
    <title>Como estruturo um problema antes de analisar qualquer coisa</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="https://lasinskas.me/blog/framing-ba/" />
    <id>https://lasinskas.me/blog/framing-ba/</id>
    <published>2026-03-22T00:00:00Z</published>
    <updated>2026-03-29T20:27:36Z</updated>
    <summary type="html"><![CDATA[
O framework que uso antes de abrir qualquer SQL - e por que a maioria dos BAs pula essa etapa
]]></summary>
    <content type="html"><![CDATA[
<h2 id="tldr">TL;DR</h2>
<p>A maioria dos BAs começa a análise antes de entender se a pergunta em si faz sentido. O framework que uso na empresa onde trabalho tem quatro perguntas que faço antes de abrir qualquer SQL - e elas me poupam mais tempo do que qualquer ferramenta de dados que já usei.</p>
<div class="hr">
  <div class="hr_inner"></div>
</div>
<h2 id="o-problema-com-vou-analisar-pra-ver">O problema com &quot;vou analisar pra ver&quot;</h2>
<p>Toda semana, em algum time de produto ou dados, alguém recebe uma tarefa parecida com essa:</p>
<p>&quot;Consegue olhar por que as conversões caíram em março?&quot;</p>
<p>E essa pessoa - talvez você, talvez eu - abre o Metabase, puxa os dados, segmenta por cohort, por canal, por dispositivo, por horário. Passa dois dias nisso. Chega a uma conclusão.</p>
<p>E aí descobre que a queda em março acontece todo ano. Sazonalidade histórica. Ninguém tinha comparado com o março do ano anterior antes de pedir a análise.</p>
<p>Esse exemplo é real. Aconteceu comigo na empresa onde trabalho.</p>
<p>O problema não era falta de habilidade técnica. O problema era que eu tinha começado a responder antes de entender o que estava sendo perguntado de verdade.</p>
<p>&quot;Vou analisar pra ver&quot; é uma armadilha. Parece proativo. Na prática, é uma forma de evitar a conversa mais difícil - a que você precisa ter antes de qualquer análise.</p>
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</div>
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/framing-ba/pergunta-certa.png" alt="Pergunta genérica recebida vs pergunta precisa reformulada" title="Pergunta genérica recebida vs pergunta precisa reformulada"></p>
<h2 id="o-que-a-maioria-pula">O que a maioria pula</h2>
<p>Quando um BA recebe uma solicitação, existe uma sequência implícita que a maioria ignora:</p>
<p>→ Alguém observou algo (ou acha que observou)</p>
<p>→ Alguém formulou uma pergunta a partir dessa observação</p>
<p>→ Essa pergunta chegou até você como tarefa</p>
<p>O problema é que cada etapa dessa sequência pode estar errada.</p>
<p>A observação pode ser baseada em dado com viés de período. A pergunta pode ter sido formulada com um pressuposto falso. E você recebe a tarefa já carregada com todos esses erros embutidos - sem saber.</p>
<p>Se você começa a análise sem questionar a tarefa, você está respondendo a pergunta errada de forma muito competente.</p>
<p>Isso não é análise. É execução.</p>
<p>Existe uma diferença enorme entre o BA que executa e o BA que pensa. O que executa entrega o que foi pedido. O que pensa entrega o que resolve o problema.</p>
<div class="hr">
  <div class="hr_inner"></div>
</div>
<h2 id="as-4-perguntas-que-fao-antes-de-qualquer-anlise">As 4 perguntas que faço antes de qualquer análise</h2>
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/framing-ba/framework-framing.png" alt="Fluxograma com as 4 perguntas sequenciais de framing" title="Fluxograma com as 4 perguntas sequenciais de framing"></p>
<p>Ao longo de projetos na empresa onde trabalho, desenvolvi um hábito: antes de abrir qualquer ferramenta, faço quatro perguntas. Às vezes para mim mesmo, às vezes para o stakeholder diretamente.</p>
<h3 id="1-qual-deciso-vai-ser-tomada-com-esse-resultado">1. Qual decisão vai ser tomada com esse resultado?</h3>
<p>Essa pergunta parece óbvia mas raramente tem uma resposta clara.</p>
<p>Se a pessoa que pediu a análise não consegue me dizer o que vai fazer diferente dependendo do que eu encontrar, há algo errado com o pedido.</p>
<p>Análise sem decisão atrelada é pesquisa acadêmica. Pode ser valiosa, mas não é o que um BA está sendo pago para fazer.</p>
<p>Na prática: peço para o stakeholder descrever dois cenários - &quot;se os dados mostrarem X, vou fazer Y&quot; e &quot;se mostrarem W, vou fazer Z&quot;. Se ele não consegue fazer isso, voltamos um passo.</p>
<h3 id="2-o-que-precisaria-ser-verdade-para-essa-deciso-mudar">2. O que precisaria ser verdade para essa decisão mudar?</h3>
<p>Essa é a mais poderosa das quatro.</p>
<p>Ela inverte a lógica. Em vez de &quot;o que os dados dizem?&quot;, a pergunta passa a ser &quot;o que os dados precisariam dizer para mudar o que já está sendo considerado?&quot;</p>
<p>Às vezes você descobre que a decisão já foi tomada e a análise é só para justificá-la. Isso também é informação útil - muda completamente como você deve conduzir o trabalho.</p>
<p>Outras vezes você percebe que o limiar de decisão é muito baixo. A pessoa já vai mudar de comportamento com qualquer sinal positivo - então você não precisa de um estudo de 30 dias. Uma análise exploratória de 3 dias já resolve.</p>
<h3 id="3-j-tentamos-responder-isso-antes">3. Já tentamos responder isso antes?</h3>
<p>Análises repetidas são um desperdício enorme de tempo que ninguém admite.</p>
<p>Antes de começar qualquer coisa, verifico se há análise anterior sobre o mesmo tema - em Confluence, Notion, Google Docs, repositório de notebooks. Não importa onde.</p>
<p>Se existir, começo por lá. Talvez a resposta já exista. Talvez o problema seja que ninguém fez nada com ela da última vez - o que é uma informação diferente e mais relevante.</p>
<h3 id="4-qual--o-dado-mais-simples-que-responde-essa-pergunta">4. Qual é o dado mais simples que responde essa pergunta?</h3>
<p>BAs tendem a superestimar a complexidade da análise necessária.</p>
<p>Antes de construir um modelo ou uma dashboard complexa, pergunto: existe um número, uma razão, uma comparação simples que já responde 80% da pergunta?</p>
<p>Frequentemente existe. E entregar esse 80% em um dia vale mais do que entregar 100% em duas semanas.</p>
<div class="hr">
  <div class="hr_inner"></div>
</div>
<h2 id="exemplo-real-como-apliquei-na-empresa-onde-trabalho">Exemplo real: como apliquei na empresa onde trabalho</h2>
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/framing-ba/dado-imperfeito.png" alt="Espectro do dado imperfeito - a zona onde 90% das análises acontecem" title="Espectro do dado imperfeito - a zona onde 90% das análises acontecem"></p>
<p>Um time de produto me pediu uma análise sobre por que usuários de uma feature específica tinham uma taxa de retenção 30% menor do que a média.</p>
<p>A pergunta implícita: &quot;temos que consertar essa feature?&quot;</p>
<p>Apliquei o framework antes de qualquer análise.</p>
<p><strong>Decisão atrelada</strong>: o time estava considerando desativar a feature e redirecionar o desenvolvimento para outra coisa. Ok - decisão clara.</p>
<p><strong>O que precisaria ser verdade para mudar</strong>: a feature precisaria mostrar retenção pelo menos equivalente à média, ou crescimento acelerado que justificasse o investimento contínuo.</p>
<p><strong>Análise anterior</strong>: havia um estudo de 6 meses atrás que concluía a mesma coisa - retenção baixa. Mas o time tinha mudado desde então e ninguém sabia desse estudo.</p>
<p><strong>Dado mais simples</strong>: antes de construir qualquer modelo, calculei a retenção por cohort de entrada (mês a mês). Descobri que os cohorts mais recentes tinham retenção crescente - a feature estava melhorando ao longo do tempo.</p>
<p>O estudo de 6 meses atrás estava correto naquele momento. Mas a conclusão era diferente hoje.</p>
<p>Com essas quatro perguntas, entrei na análise com hipótese clara, escopo certo, e consciência do contexto histórico. Duas horas de trabalho evitaram uma decisão de produto equivocada.</p>
<div class="hr">
  <div class="hr_inner"></div>
</div>
<h2 id="para-o-ba-como-comear-amanh">Para o BA: como começar amanhã</h2>
<p><img class="inline" src="https://lasinskas.me/blog/framing-ba/dado-a-decisao.png" alt="Pirâmide: do dado à decisão - onde o impacto está" title="Pirâmide: do dado à decisão - onde o impacto está"></p>
<p>Você não precisa criar um processo formal para isso. Começa com uma mudança simples de comportamento.</p>
<p>Na próxima vez que receber um pedido de análise, antes de abrir qualquer ferramenta, escreva numa linha:</p>
<p>&quot;Quem vai usar esse resultado, para tomar qual decisão?&quot;</p>
<p>Se você não consegue responder essa frase em uma linha, volte para o stakeholder antes de começar.</p>
<p>E se você não tem acesso direto ao stakeholder? Fala com quem pediu a análise. Pergunte: &quot;Quem vai usar esse resultado e para tomar qual decisão?&quot; Se nem essa pessoa sabe, a análise não deveria ter começado.</p>
<p>Não como burocracia. Como eficiência.</p>
<p>A análise que responde a pergunta certa em dois dias vale infinitamente mais do que a análise perfeita que responde a pergunta errada em duas semanas.</p>
<p>Esse é o trabalho real de um BA. Não é SQL. Não é dashboard. É saber qual pergunta merece ser respondida.</p>
<div class="hr">
  <div class="hr_inner"></div>
</div>

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    <author>
      <name>Guilherme Lasinskas</name>
      <email>guilherme.lasinskas@gmail.com</email>
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